
Por Samuel Costa
AntagonistaRO - Dia do Trabalhador, celebrado neste 1º de maio, não deve ser apenas uma data simbólica no calendário. É um momento de reflexão sobre a realidade de milhões de brasileiros que diariamente sustentam a economia, movimentam as cidades, produzem alimento no campo, educam nossas crianças, cuidam da saúde da população e garantem o funcionamento do serviço público.
Em Rondônia, a discussão sobre trabalho e dignidade precisa ocupar o centro do debate político e social. Nosso estado cresceu economicamente nas últimas décadas, mas esse crescimento não pode continuar concentrado apenas nas mãos de poucos, enquanto trabalhadores enfrentam baixos salários, jornadas exaustivas e ausência de direitos básicos.
Uma das pautas mais urgentes da atualidade é o fim da escala 6x1. Milhares de trabalhadores vivem uma rotina desumana, trabalhando seis dias consecutivos para descansar apenas um. Esse modelo retira do cidadão o direito à convivência familiar, ao lazer, ao estudo, à espiritualidade e até ao cuidado com a própria saúde mental.
Não existe desenvolvimento verdadeiro quando o trabalhador vive apenas para sobreviver. O avanço tecnológico, o aumento da produtividade e os lucros recordes de muitos setores da economia precisam resultar também em melhor qualidade de vida para quem produz a riqueza do país. Defender jornadas mais humanas não é radicalismo; é defender civilidade, equilíbrio social e respeito à dignidade humana.
Ao mesmo tempo, Rondônia precisa enfrentar um debate sério sobre a valorização do servidor público. Professores, profissionais da saúde, policiais, técnicos, agentes administrativos e tantos outros servidores mantêm o estado funcionando mesmo diante de salários defasados, falta de estrutura e abandono institucional.
Valorizar o servidor não é gasto: é investimento na qualidade do serviço prestado à população. Nenhum estado se desenvolve atacando servidores ou tratando o funcionalismo público como inimigo. É preciso garantir salários dignos, auxílio alimentação justo, condições adequadas de trabalho, concursos públicos e valorização profissional permanente.
Também é impossível falar sobre o trabalhador sem reconhecer a importância do homem e da mulher do campo. São eles que produzem alimento, movimentam a economia rural e ajudam a sustentar Rondônia. Porém, muitos pequenos produtores ainda enfrentam abandono, falta de assistência técnica, dificuldade de acesso ao crédito e estradas precárias.
O desenvolvimento do agronegócio não pode ignorar a agricultura familiar, os pequenos produtores, os trabalhadores rurais e as comunidades tradicionais. É necessário construir um modelo econômico que gere riqueza sem destruir direitos, sem degradar o meio ambiente e sem excluir quem realmente trabalha.
Da mesma forma, o trabalhador da cidade enfrenta diariamente transporte precário, insegurança, desemprego e custo de vida elevado. A dignidade do trabalho passa também pelo direito à moradia, saúde, educação e oportunidade.
Neste 1º de maio, mais do que homenagens, o trabalhador brasileiro precisa de compromisso político e coragem para mudar estruturas injustas. O futuro de Rondônia depende da capacidade de construir um estado onde quem trabalha tenha voz, respeito e condições reais de viver com dignidade.
Valorizar o trabalhador é fortalecer a economia. Valorizar o servidor é melhorar os serviços públicos. Garantir dignidade ao homem e à mulher do campo e da cidade é construir uma Rondônia mais humana, justa e desenvolvida para todos.
Samuel Costa é pai da Sofia e do Samuel Jr, rondoniense, professor, advogado, jornalista, especialista em Ciência Política e pré-candidato ao governo de Rondônia.



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