364 - A reorganização do cenário político em Porto Velho e em todo o estado de Rondônia voltou a expor fragilidades históricas do campo progressista. Lideranças e militantes avaliam que, mais uma vez, houve desalinhamento estratégico após as eleições municipais, com possíveis impactos diretos nas disputas proporcionais de 2026.
No centro das críticas estão os recentes movimentos políticos de Euma Tourinho e Célio Lopes. Tourinho, que disputou a prefeitura com apoio do Movimento Democrático Brasileiro, legenda liderada no estado pelo senador Confúcio Moura, deverá migrar para o Podemos com o objetivo de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Já Célio Lopes, que teve sua candidatura vinculada ao Partido Democrático Trabalhista, articula filiação ao União Brasil, também com vistas à eleição de deputado federal.
Os movimentos são interpretados por setores da esquerda rondoniense como um distanciamento do projeto político coletivo que vinha sendo construído nos últimos anos. Há o entendimento de que os investimentos realizados por partidos progressistas nas candidaturas municipais não se traduziram em fidelidade programática ou continuidade de alianças.
Nos bastidores, dirigentes partidários admitem preocupação com a fragmentação do campo progressista. A avaliação é que decisões individuais, sem coordenação estratégica, enfraquecem a capacidade competitiva da esquerda, especialmente em um estado onde a disputa por vagas na Câmara Federal é historicamente acirrada.
Para analistas políticos, o cenário reforça um problema recorrente: a dificuldade de consolidar candidaturas viáveis e unificadas. Sem coesão, o risco é de repetição de desempenhos abaixo do esperado, como já ocorreu em pleitos anteriores, quando partidos de esquerda não conseguiram eleger representantes federais por Rondônia.
Enquanto isso, lideranças do Partido dos Trabalhadores e de outras siglas progressistas discutem estratégias para evitar novo revés eleitoral. Entre as propostas estão a construção antecipada de chapas competitivas, maior rigor na definição de alianças e o fortalecimento de candidaturas com identidade programática clara.
O episódio reacende o debate interno sobre prioridades, critérios de investimento e compromisso político. Para parte da militância, a lição é evidente: sem unidade e planejamento de longo prazo, o campo progressista seguirá enfrentando dificuldades para ampliar sua representação em Brasília.
Com o calendário eleitoral avançando, o desafio agora será transformar a insatisfação em reorganização concreta — sob o risco de, mais uma vez, a esquerda rondoniense chegar dividida a uma disputa decisiva.
Fonte: Brasil364



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